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Minimalismo e consumo

19 Mai

Como esse movimento artístico-cultural está mudando meu estilo de vida e consumo.

Olá! Hoje vou falar sobre como o Minimalismo, movimento artístico-cultural surgido nos anos 1960, está mudando meu estilo de vida (e de milhares de pessoas em todo o mundo) e de que forma ele se relaciona com o consumo consciente.

Você pode saber um pouco mais sobre esse conceito (de forma bem didática e resumida), neste link, mas também pode procurar na Wikipedia se quiser algo mais aprofundado. Trata-se de valorizar o essencial e dispensar os excessos. Na moda, usam-se poucas cores e roupas sem muitos detalhes complicados, no design e na decoração tem-se linhas retas, visuais bem limpos, espaços com poucos móveis e maior área de circulação.

E na vida de um modo geral? Significa viver com pouca coisa, apenas o essencial. Rever nossos princípios: será que é preciso ter uma casa enorme, dois ou três carros na garagem, todos os últimos lançamentos eletrônicos, roupas da última coleção que vai ficar obsoleta em 3 meses, 100 pares de sapatos para ser feliz? O que você ganha com isso? E o planeta?

O minimalismo tem a ver, na nossa rotina diária, em repensar hábitos e analisar se estamos felizes com todas as coisas que abarrotam nossos lares e se precisamos ou utilizamos tudo isso. Tem a ver com parar de consumir por impulso e acumular coisas que não são necessárias.

Foi pensando sobre isso que resolvi mudar e destralhar minha casa, meus armários e minha cabeça. Me aprofundei um pouco mais no tema este ano, mas a mudança começou antes, em 2016, quando li o livro "A mágica da arrumação", da Marie Kondo. É uma japonesa expert em arrumação da casa cujo método consiste em se desfazer de tudo que não tem mais utilidade e/ou que não te faz mais feliz. Isso inclui roupas e sapatos, utensílios de cozinha e banheiro, papelada, documentos e livros, fotos e itens sentimentais. Resumindo, você vai fazer uma limpa em TUDO que tem na sua casa, até mesmo os móveis se for preciso (e que é seu, lógico, não vá jogar fora coisas dos outros mesmo que tenha vontade! rs rs). E vai manter apenas os itens que te fazem feliz. Há vídeos no Youtube mostrando como funciona (procure os que são apresentados pela própria Marie, para evitar ter uma ideia de segunda mão.

Em um mês nesse processo (demorei porque com filho pequeno você não tem muito tempo livre pra fazer as coisas), devo ter eliminado uns 10 sacos de lixo de 50 litros, fora outras tralhas que não couberam em sacos. Pena que não fotografei o que tirei, é impressionante! Doei tudo que não usava e estavam em bom estado, até louças. Muita coisa foi para o reciclável e grande parte para o lixo mesmo. Só faltou organizar as fotos e arquivos digitais e me desfazer de uma caixa de livros que preciso levar ao sebo. Vou concluir isso até o fim de junho. Meus documentos e diplomas se resumiram a uma pastinha (a roxa na foto 8, abaixo).

Depois dessa "limpa" tudo fluiu melhor, a energia voltou a circular, apareceu trabalho, meu humor mudou. Mas ainda tinha outra coisa me incomodando... Não sabia o que era. Até então eu achava que precisava apenas 'limpar a casa'. Um dia, comecei a procurar imagens sobre decoração e descobri o minimalismo. Gostei. Tudo me parecia muito bonito, de bom gosto mas simples, e a sofisticação está na simplicidade. Poucos móveis, mais espaço livre, tudo clean mas aconchegante. Na moda, roupas básicas e confortáveis, poucas cores, quase nenhuma estampa. Tão usáveis, práticas e bonitas!

Então, já em 2017, assisti o documentário Minimalism, no Netflix*. E as coisas começaram a fazer sentido pra mim. Eu estava cheia, com um rotina supercansativa, coisas demais para limpar, controlar, fazer e cuidar. Precisava de algo que simplificasse minha vida, desde a forma de me vestir (pois não tenho mais tempo nem paciência para combinar peças complicadas de roupas) até o lugar de armazenar objetos em casa.

* Se você não tem acesso ao Netflix, pode visitar o blog The Minimalists (http://www.theminimalists.com/), que é uma fonte muito boa de inspiração nesse tema.

Descobri que para alcançar esse estado de espírito mais leve era preciso, primeiramente, ter poucas coisas, apenas o essencial e aquilo que gosto. Não preciso de três jogos de xícaras se uso apenas um. Não preciso de duas cafeteiras, 20 copos, vidros, dezenas de travessas. A gente vem de uma época em que não se jogava nada fora, ao contrário, adquiriam-se mais coisas à medida que a situação financeira ia melhorando. Mas pra quê? Para que você precisa de travesseiros extras mofando no armário para receber visitas uma vez ao ano? Peça para elas trazerem, ué! Garanto que dormirão melhor em seus próprios travesseiros!

Adotar uma vida simples, mas com significado, me pareceu de uma leveza extraordinária! Por isso, este ano, resolvi adotar um estilo de vida minimalista, o que quer dizer que optei por reduzir pertences e manter uma atitude de ter apenas o essencial. O difícil, no começo, é decidir o que é realmente essencial. Mas em geral, você viveria muito bem com cerca de 10% do que você possui. Duvida? Tente o método Marie Kondo e verá do que estou falando.

Ainda estou em processo, faço algumas compras em quantidades exageradas, mas estou me ajustando. Também faço compras por impulso, ainda. Mas já procuro itens com pouca embalagem, o que evita guardar caixinhas, potes, bolsinhas, etc. Sempre que posso trago as compras do supermercado em caixas de papelão ou levo minha própria sacola de pano. Só uso sacolas plásticas para o lixo do banheiro, para catar o cocô do cachorro e/ou para transportar algo leve, colocar uma muda de roupa do filho na bolsa, coisas do tipo. É simples, é reutilização. Não preciso comprar sacos especiais para isso, mas também não é necessário trazer 20 sacolas a cada ida ao mercado.

Não chego ao extremo de viver com uma mochila nas costas, mas percebi que não precisava nem de metade das coisas que eu tinha. Também não virei uma ecochata, pois não se trata de "vigiar nem julgar" ou outros. Quer viver de orgânicos e pode fazer isso? Beleza. Cada um na sua, no seu ritmo, no seu processo. Não é preciso prestar contas a ninguém, só a você mesmo. Pergunte-se se a forma como você vive lhe agrada, se você realmente precisa de mais uma blusinha, outro par de sapatos carésimo que vai apertar seus pés... ou seria melhor guardar esse dinheiro para um passeio, uma visita a um amigo distante, jantar fora com a família mais vezes?

Mas o que tem isso a ver com os cosméticos, carambolas? É o que você vai descobrir no próximo post, semana que vem, porque esse já está gigante.

Andréa da Luz

Bem-vindo ao Não Vivo sem Cosméticos, projeto da jornalista e engª química Andréa da Luz, no ar desde 2007. Acompanhe-nos também pelo Twitter, Facebook e Youtube!

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