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Andréa da Luz

Bem-vindo ao Não Vivo sem Cosméticos, projeto da jornalista e engª química Andréa da Luz, no ar desde 2007. Acompanhe-nos também pelo Twitter, Facebook e Youtube!

Domingo, 17 Junho 2007 09:14

Ingredientes perigosos

Considero a cosmetologia uma das ciências mais interessantes da nossa época. Principalmente em um momento em que as pessoas se preocupam cada vez mais com o processo de retardo do envelhecimento e com o uso de produtos que tragam benefícios à pele, cabelos e à saúde de um modo geral. Já falei aqui sobre a importância de observar a validade dos cosméticos. Mas tem outra coisa de extrema importância que devemos saber.

O National Institute of Occupational Safety and Health (NIOSH), nos EUA, detectou 884 substâncias químicas tóxicas, comumente presentes em formulações de produtos cosméticos para higiene e cuidados com a pele. Segundo o Dr. Samuel Epstein, professor emérito de medicina da Universidade de Illinois (Chicago) e autor do livro Unreasonable Risk, ingredientes como talco, dióxido de titânio, trietanolamina, sacarina e derivados de óleo mineral, entre outros, são carcinogênicos. Outras substâncias liberadoras de formaldeído, como Diazolidinil urea, Quaternium 15 e DMDM Hidantoína, são carcinogênicos escondidos e representam perigo potencial de uso. A lista é imensa e inclui até o Triclosan (agente anti-séptico efetivo contra bactérias, fungos e bolores e que é encontrado em medicamentos, sabonetes, xampus anti-caspa, loções e cremes dentais).

A revista de saúde Discovery Dsalud, editada mensalmente em Madri, na Espanha, também alerta sobre as substâncias tóxicas e dá algumas dicas para comprar os cosméticos, como desconfiar de produtos que dizem conter essências de maçã, melão e pera, por exemplo, porque não é possível extrair delas óleos essenciais naturais, portanto o aroma não será natural. Também recomenda descartar produtos que têm mais de 30 ingredientes, a não ser que os primeiros da lista sejam substâncias naturais (muitas precisam de gelificantes ou emulsificantes químicos para formarem uma mistura homogênea) e, por fim, reconhecer que produtos naturais são mais caros já que dependem de condições váriaveis como temperatura, cultivo, controle de pragas, etc.

Pela internet, li algumas críticas de pessoas que adquiriram o livro do Dr. Epstein e se mostraram um tanto céticas porque não há descrições suficientes sobre a ação desses ingredientes e também porque é meio difícil de aceitar que a indústria bilionária dos cosméticos preferisse continuar usando produtos cancerígenos quando há outras alternativas possíveis. O livro com a pesquisa está à venda na Amazon.com e custa por volta de US$ 23.

Observe seus potes de creme! Resolvi fazer uma busca em mais de 10 produtos que tenho em casa e encontrei a Imidazolidinil Uréia, da qual derivou a Diazolidinil urea citada acima, na composição de um gel de limpeza facial de marca conhecida mundialmente pelo sistema de venda direta. Por via das dúvidas, da próxima vez vou procurar um produto alternativo.

O lado bom desse fato assustador é que pode ser um passo importante em direção ao crescimento da chamada cosmetologia orgânica, cujos benefícios começam a ser percebidos e procurados por consumidores mais conscientes.

Sexta, 08 Junho 2007 09:21

De olho na validade

Uma pesquisa feita pelo College of Optometrists, na Grã-Bretanha, revelou que 9 entre 10 mulheres usam maquiagem vencida. Segundo reportagem divulgada pelo portal BBC Brasil essa semana, o estudo mostrou que as campeãs em usar produtos fora do prazo da validade são as mulheres entre 30 e 40 anos. Em geral, elas não renovam seus estoques porque muitas vezes seus produtos prediletos já saíram de linha. Dois terços das entrevistadas, de várias faixas etárias, admitiram usar a mesma maquiagem por mais de dois anos.

A pesquisa alerta para o risco de alergias e infecções provocadas por bactérias que se acumulam em rímeis e batons. Deve ser por isso que metade das entrevistadas disseram sentir coceira, ardência e reclamaram que os olhos lacrimejam constantemente. O risco aumenta para aquelas que se aventuram a passar rímel dentro de trens e ônibus urbanos em movimento, podendo causar danos à córnea. Também é arriscado compartilhar os produtos com amigas, pois você pode pegar ou transmitir a bactéria da conjuntivite.

Você já checou seus produtos de beleza?

Descobri coisas incríveis em apenas 5 minutos verificando minhas (poucas) maquiagens: um rímel vencido, lápis de olho na berlinda (ainda está novo e vencerá em um mês!) e algo que talvez você já tenha notado. Muitos produtos não têm a data de validade impressa no frasco, somente na caixa ou no lacre plástico que jogamos fora após abrir a embalagem! É claro que ampliei a checagem correndo até o espelho do banheiro (deixei de lado outras três cestinhas cheias de frascos) e, dos 13 produtos que haviam lá, sete não tinham data de validade. Entre esses estavam os hidratantes faciais, creme para área dos olhos, batom - justamente os que mais duram.

Antes de sair por aí alardeando que isso já era esperado tratando-se do Brasil, saiba que nem na Europa há regras definidas sobre o tempo de vida útil do produto, embora a legislação européia determine a indicação da data de validade nas embalagens. Mesmo assim, fica a dica para os fabricantes incluírem isto nos frascos!

Veja o prazo dos produtos, segundo pesquisadores:
Rímel: de 3 a 6 meses
Bases, cremes, hidratantes e demaquilantes:
6 a 8 meses
Pó facial, pancake, sombras, blush, gloss, batons, tônicos:
1 ano
Lápis de olho, de boca, delineadores:
1 ano e 6 meses.

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